AutorLuiz Gustavo Vilela

Game of Thrones S07E01 – Dragonstone

Dragonstone_10

Texto com spoilers de Game of Thrones. Leia por sua conta e risco.

Game of Thrones inovou pouco em seu retorno para a sétima temporada. Dragonstone, assim como a maioria dos episódios que abriram as últimas temporadas, possui uma função prioritariamente didática, responsável por nos ressituar em relação aos personagens ao mesmo tempo em que os reposicionam no tabuleiro de Westeros. Não por acaso a imagem literal de um tabuleiro com o mapa dos Sete Reinos aparece com destaque, reforçando a ideia de “jogo”, ao menos duas vezes: na conversa entre Cersei e Jaime Lannister (Lena Headey e Nikolaj Coster-Waldau) e na sequência final com Daenerys Targaryen (Emilia Clarke). Leia mais

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

A sanha hollywoodiana por lucros livres de riscos dita que uma propriedade com potencial de venda não ficará muito tempo sem receber uma nova versão e relançamento comercial. Para ser vendável, todavia, é preciso que a refilmagem apresente algo de novo, dizendo algo sobre o mundo em que vivemos. Portanto, para entender a que se propõe Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, 2017) é preciso diferenciá-lo tanto da trilogia Homem-Aranha (Spider-Man, 2002, 2004 e 2007) quanto do díptico O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, 2012 e 2014). A até então inédita integração do personagem com o Universo Cinematográfico Marvel dá uma pista para começar este debate. Leia mais

Doutor Estranho

Doutor Estranho

Ao longo da última década a Marvel abusou do modelo de usar o cinema de gênero como base para suas produções – Homem-Formiga (Ant-Man, 2015) usa as bases do thriller de assalto, Os Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014) é uma ópera espacial. Se este processo criou um gênero independente, Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016) é um mergulho dentro da própria Marvel, partindo da “história de origem” do primeiro Homem de Ferro (Iron Man, 2008) para ir além. O resultado é talvez o mais humano dos filmes lançados pelo estúdio. Leia mais

Aquarius

aquarius

Há uma cena de O Som ao Redor (2013) em que Francisco (W.J. Solha), o “dono” na rua em que a ação se desenvolve, acorda de madrugada, parte rumo a praia e mergulha no mar. Ali ele é um tubarão, criatura pré-histórica e predadora que mantém toda uma sociedade refém de suas vontades e sede de sangue. Em Aquarius (2016), novo filme do mesmo Kleber Mendonça Filho, há uma sequência que espelha seu trabalho anterior – especialmente se considerarmos a função dos personagens de Irandhir Santos em cada produção (segurança no primeiro e salva-vidas neste segundo). Clara (Sônia Braga) mergulha sozinha no mar e aproveita o que há de melhor em morar onde mora: um antigo, mas charmoso, prédio na orla de Recife. Leia mais

Jason Bourne

Jason Bourne

O hiato de nove anos entre O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, 2007), derradeiro filme da trilogia original, e este Jason Bourne (2016) foi preenchido por mudanças estruturais na organização geopolítica. Se Jason Bourne (Matt Damon) era o espião possível do pós 11/09 agora ele procura encontrar um lugar em um mundo pós Snowden e WikiLeaks. Vigilância e proteção de informações, subtemas caros ao cinema de espionagem, ganham novas dimensões. Não é mais a falta de memória e a busca pela própria identidade que movem o personagem. É a busca pela verdade em sua história pessoal, que se traduz como metáfora nas mentiras que movem o mundo. Leia mais

Life: Um Retrato de James Dean

Life: Um Retrato de James Dean

O que há por trás de uma imagem? A postura mais cínica fica entre o nada absoluto e uma sucessão infinita de outras imagens. A menos, em contrapartida, considera a possibilidade de que por trás de uma imagem está a própria vida. Ou ao menos uma fatia dela. Life: Um Retrato de James Dean (Life, 2016) é antes de tudo um líbelo pela segunda opção. A busca de Dennis Stock (Robert Pattinson) não é pela fama impulsionada pelo apelo de um prestes-a-ser-descoberto James Dean (Dane DeHaan), mas sim por conseguir apreender através de suas lentes algo da eletricidade que ele sentia naquele momento e que de alguma forma estava representada no jovem ator. Leia mais

A Lenda de Tarzan

A Lenda de Tarzan

O título A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, 2016) é absolutamente adequado para este filme e se justifica já na primeira cena em que nos encontramos com o personagem criado por Edgar Rice Burroughs. Tarzan (Alexander Skarsgård), ali, é John Clayton, o Lorde de Graystoke em um esforço para se sentir civilizado entre os homens que lhe pedem que volte ao Congo onde foi criado entre os animais. Diante de suas negativas – que passam pela reafirmação de sua identidade europeia – George Washington Williams (Samuel L. Jackson) se levanta e resume todo o estereótipo do Rei das Selvas conhecido em poucas frases. Ou seja, lhe impõe sua lenda e reafirma seu status cultural dentro e fora da trama. Leia mais

Dois Caras Legais

Dois Caras Legais

A sequência de abertura de Dois Caras Legais (The Nice Guys, 2016) deixa clara quais as temáticas que interessam Shane Black, diretor e co-roteirista ao lado de Anthony Bagarozzi. Um garoto pega uma edição da Playboy debaixo da cama dos pais que estão dormindo. Ao andar pela casa escapa por pouco de um carro que atravessa as paredes rumo ao quintal. Lá, agonizante e nua, está a modelo que estampa a capa da revista, ao lado do carro capotado prestes a pegar fogo. A cena colide inocência infantil, sexo e violência, a combinação de ouro do cinema hollywoodiano desde sempre. Leia mais

Caça-Fantasmas

Caça-Fantasmas

Paul Feig riu por último ao fazer com que a maior piada de Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016) seja o ódio descerebrado criado pelo simples fato do filme ser uma refilmagem de um cânone nerd com mulheres. É um movimento brilhante por dois aspectos: a certeza de que haveria revolta suficiente para que as piadas façam sentido e a tranquilidade de poder tirar sarro de quem já disse que não iria ver o filme, logo impactando pouco nas bilheterias. Partindo desta liberdade o diretor, junto da co-roteirista Katie Dippold, puderam ir além da nostalgia, criando uma obra sobre 2016 para 2016. Leia mais

Julieta

Julieta

Há um filme em algum lugar de Julieta (2016), mas não nas imagens que Pedro Almodóvar usa para contar a história da personagem-título. Assim como para a própria Julieta (Adriana Ugarte e Emma Suárez), que passa boa parte da vida em estado de torpor, recuperando-se dos traumas que passou, à obra falta vida. Mesmo as cores vibrantes, marca visual do diretor espanhol, só aparecem aqui e ali, mais como assinatura estilística do que como reflexo da explosão de sentidos das personagens. É indício de que há uma intencionalidade na contenção estético-narrativa, ainda que ser proposital não seja critério de redenção. Leia mais