Em dado momento, não muito longe do começo do filme, Grace diz para Loki, o policial encarregado do caso, – papéis de Maria Bello e Jake Gyllenhaal – que sua filha está apenas escondida, como em uma brincadeira de criança que não mede as consequências de seus atos. O oficial pergunta se há algo que a leva a crer que isso seja verdade e ela responde que só pode ser isso, tem que ser isso. O que não é dito, porém, é que ela precisa se apegar a essa ideia com todas as suas forças, porque a alternativa é terrível demais. É desse tipo de subtexto, repleto de silêncios que são mais profundos que os diálogos, é de que é feito “Os Suspeitos”. Leia mais
CategoriaCríticas
Se o barato de “Kick-Ass” partiu da ideia de que um adolescente, com um bocado de tempo de sobra e inspirado por muitas histórias em quadrinhos, resolve ser um super-herói, criando uma espécie de versão pop-juvenil de “Watchmen”, sua continuação mostra o desdobramento lógico: a criação do primeiro super-vilão, bem como os primeiros super-grupos. Se isso não é dar um passo além, ao menos evita a armadilha de se repetir, mal de muitas e muitas continuações por aí. Leia mais
Depois de passada parte da empolgação por estarmos vendo novamente os personagens de “Dragon Ball Z”, e ainda no cinema, vem o balde de água fria. O filme pode ser resumido em uma hora de piadas fracas e 15 minutos de pancadaria que, além de tudo, não chega aos pés do que a série já mostrou. Uma pena.
Se por um lado já se passaram mais de 20 anos desde que uma reunião entre Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger fosse realmente relevante, por outro, nos idos dos anos 80, a faixa salarial deles sempre tornou a empreitada impossível. O que não quer dizer que, mesmo agora, velhos e desesperados para disfarçar rugas e cabelos brancos, esse encontro fique menos divertido. Leia mais
De tempos em tempos, um filme consegue, por motivos e caminhos misteriosos, se destacar da mesmice hollywoodiana. São desses raros encontros entre uma narrativa poderosa e imagens estonteantes, combinadas com atuações convincentes, ritmo, trilha, e muitas outras questões que são ora técnicas, ora estéticas, ora tudo isso e mais. Filmes que justificam todo o aparato da sala de cinema, além da parafernália dos últimos anos: 3D, IMAX e sistema de som anabolizado.
“Gravidade” é um desses.
O mal das continuações não-planejadas assombra “Tá Chovendo Hambúrguer 2″. O primeiro foi um sucesso, em parte, inesperado. Mas a verdade é que sempre teve tudo para dar certo: personagens carismáticos, arcos de aprendizado edificantes, aventuras e um mundo colorido e divertido. A sequência, porém, faz aquela besteira de querer ser mais do que o primeiro; subir a um novo patamar; essas coisas.
Por trás de todos os giros de câmera e edição estilosa, por trás de todos os diálogos espertinhos, disparados com velocidade e elegância, por trás de toda a superfície que é “Aposta Máxima”, o que existe é a cruzada humana rumo à corrupção e a tentativa de libertação. Essa degeneração da alma, postula o filme, é trazida por uma série de verdades convenientes que contamos a nós mesmos para justificar a vida fácil. Não há crime se são as vítimas quem dão o nó na corda, a põe no pescoço e ainda por cima pulam do cadafalso por si mesmas.
É injusto dizer que “R.I.P.D. – Agentes do Além” é uma mistura de “MiB” com “Os Caça-Fantasmas”, como se está dizendo muito por aí. É, afinal, uma mistura de “MiB” com “Ghost”. Mas não é uma combinação pura, já que o que temos aqui não é o melhor dos dois filmes, senão apenas as aparências. Porque, na verdade, uma versão de “MiB” com fantasmas, tinha tudo para dar certo. Leia mais
É de se admirar a ambição de tentar levar para os cinemas o épico gaúcho “O Tempo e o Vento”, escrito por Erico Veríssimo. Os vários tomos, agrupados em três lançamentos – “O Continente”, “O Retrato” e “O Arquipélago” – fornecem muitos personagens, tramas, subtramas e cenários para que se almeje uma transposição total ou fiel. A saída, então, envolve escolher algo dentro disso, que tenha início, meio e fim, com um arco bem desenhado, para render duas horas de projeção. Leia mais
Vez ou outra uma comédia americana surpreende a ponto de ser bem engraçada. Foi o caso de “Porks”, “Quem Vai Ficar Com Mary”, “American Pie”, de “Penetras Bons de Bico” e de “Se Beber, Não Case!” e de tantas outras. Ainda é cedo para dizer se “Uma Família do Bagulho” tem potencial para tanto, especialmente no Brasil que foi brindado com esse título que força um pouco a amizade – e seu péssimo trocadilho auto-referêncial diz mais sobre as distribuidoras nacionais do que sobre o filme. Mas que há potencial, há. Leia mais
