“A Hora Mais Escura” abraça o realismo para contar sua história

“A Hora Mais Escura” começa com o áudio da caixa preta de um dos voos que atingiu o World Trade Center no fatídico 11 de setembro. Sem imagens. Logo depois, ainda no fundo preto, somos avisados de que o que veremos é baseado em fatos reais. Tudo isso faz parecer que Kathryn Bigelow, a diretora, oscarizada por “Guerra ao Terror”, já sabia o tipo de polêmica que causaria com o filme. E quis colocar mais lenha na fogueira. Leia mais

“O Voo” trata da espiral destrutiva dos vícios de forma sóbria

Primeiro, uma recomendação: se você é dessas pessoas que têm problemas com avião, que passa a maior parte dos voos rezando baixinho, de olhos fechados, que dá um grito a cada solavanco e que pode até desmaiar com uma turbulência, talvez seja melhor não ver “O Voo”. Isso porque o mote do filme envolve uma queda de um avião, cuja tragédia maior é evitada pelo piloto `Whip` Whitacker, interpretado por Denzel Washington. E, de verdade, essa cena é sensacional. O que pode ser um problema, caso você seja uma dessas pessoas descritas na primeira frase. Leia mais

“Os Miseráveis” tem altos e baixos, mas emociona com as canções

Antes da metade da exibição, “Os Miseráveis” encontra o seu ápice. É no corajoso take sem cortes, com a câmera fechada em seu rosto, que Anne Hathaway, encarnando a prostituta Fantine, canta a icônica “I Dreamed a Dream”. É a cena-resumo do filme, do ponto de vista estilístico, além de ser a melhor de todo o longa. Mas se o que vem antes e depois desta cena não consegue ser melhor do que isso, não quer dizer que esse todo seja ruim. Leia mais

“O Lado Bom da Vida” é o melhor que uma comédia dramática pode ser

Em inglês, convencionou-se chamar filmes como “O Lado Bom da Vida” de `feel good movie`. O que quer dizer que são filmes agradáveis de se ver, recheados de personagens adoráveis, ainda que cheios de defeitos (mas todos defeitos adoráveis), com uma trilha bacana e edição espertinha, além de diálogos ágeis e saborosos. Esses filmes, inclusive, costumam perpassar pelas comédias românticas, mesmo não sendo obrigatoriamente uma comédia romântica. E se os `feel good movies` são um gênero, afinal, já dá para dizer que “O Lado Bom da Vida” é seu exemplar definitivo. Não apenas por conter todos os elementos do (vá lá) gênero, mas por subvertê-los. Tudo com muita leveza, claro. Leia mais

“João e Maria: Caçadores de Bruxas” tenta fazer da fábula um filme de horror

Era uma questão de tempo até que alguém resolvesse fazer uma versão (mais ou menos) para adultos da fábula de “João e Maria”, cujo formato mais conhecido é o escrito pelos irmãos Grimm. Então, não é de todo mal que quem tenha resolvido fazer essa versão tenha sido o norueguês Tommy Wirkola. Afinal de contas, a brincadeira aqui é simplesmente usar a fábula como mote para um monte de cenas de ação malucas. Leia mais

Em “Django Livre” Tarantino faz mais do que homenagear faroestes

Quentin Tarantino, no final catártico de “Bastardos Inglórios”, fez uma declaração aberta. Ele acredita que o cinema é uma ferramenta poderosa, capaz de mudar o estado das coisas. Em “Django Livre” ele leva essa tese a um limite ainda inédito em sua carreira. Mais do que fazer a homenagem fetichista aos filmes de faroeste, Tarantino quer, aqui, dar uma oportunidade simbólica de revanche para os negros escravizados pelos EUA no século 19. E isso não é pouca coisa. Leia mais

“Amor” mostra um lado mais delicado de Michael Haneke

“Amor” parece a tentativa de Michael Haneke de fazer um filme um pouco mais tranquilo. Isso significa que, ao invés de nos dar um soco na boca e nos arrastar semiconscientes pelo caminho, como em “Violência Gratuita”, “Cache” e “A Fita Branca”, ele apenas nos toma pela mão e nos conduz, um bocado mais suavemente. E, creia-me, a comparação só parece injusta se você não assistiu aos filmes dele. Leia mais

“Jack Reacher – O Último Tiro” se sustenta no ego de Tom Cruise

Um herói caricato, um vilão ainda mais caricato e uma trama cheia de pequenas reviravoltas. Nada além do necessário para fazer de “Jack Reacher – O Último Tiro” divertido e descompromissado, como um thriller de ação estrelado por Tom Cruise deve ser. E, se há algo a se apontar neste filme, é que ele não chega a ser tão divertido quanto o último “Missão: Impossível”. Leia mais

Os Wachowski voltam a falar de seus temas favoritos em “A Viagem”

Antes de começar a sessão da pré-estreia de “A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2” foi exibido o trailer de “A Viagem”. Seis minutos de um passeio onírico pelos diferentes tempos e personagens buscando apresentar a trama e seus desdobramentos através da bela fotografia, de forma que o espectador médio não se sentisse acuado pela narrativa potencialmente complexa. Ao final da prévia, quando o narrador brasileiro anuncia, em sua voz gutural, “A Viagem”, um rapaz em uma fileira atrás de mim, provavelmente de mau humor por estar acompanhando a namorada para ver “Crepúsculo” em uma sessão que começava à meia-noite, completou em tom jocoso: “na maionese”. Leia mais

“Detona Ralph” mantém o espírito da Disney em embalagem Pixar

É incrível que no mesmo ano em que a Pixar lança seu “filme de princesa”, a Disney tenha finalmente entendido como funcionam as animações no novo milênio. Isso é provado por “Detona Ralph”, seu mais novo trabalho, que, pela primeira vez, traz um roteiro coeso, que respeita adultos e crianças e, acima de tudo, é extremamente divertido, sem recorrer a vilões caricatos ou a romances forçados. Leia mais