Histórias de superação pessoal por conta do esporte são uma fonte inesgotável para o cinema. Especialmente as baseadas em fatos reais. Deve ter sido com isso em mente que “A Grande Vitória” foi feito. E ele até funcionaria narrativamente, não fossem uma série de detalhes. São defeitos demais acumulados para que o filme consiga decolar.
AutorLuiz Gustavo Vilela
Considerando filmes como “Clube das Desquitadas”, “As Bruxas de Eastwick” e (meu favorito) “Ela é o Diabo”, já dá para dizer que `vingança feminina` é um subgênero. Ainda mais com a estreia de “Mulheres ao Ataque” que, se não consegue ser melhor do que nenhum dos citados, ainda dá um passo adiante ao resolver focar na amizade. Nem que, para isso, seja necessário sacrificar piadas potencialmente boas ou mesmo o andamento do roteiro.
Como não existe fidelidade na hora de levar um universo de um meio para outro, a saída honesta envolve identificar os elementos mais importantes dentro do original e buscar preservá-los ao máximo na hora de adaptar. Tendo um coração com diversos signos identificáveis, todo o resto pode mudar, para adequar a narrativa à nova mídia, que pouco importa. Ou irá importar apenas em bate-papo de boteco, onde tudo importa demais, na verdade.
Há um motivo simples pelo qual “O Filho de Deus” não funciona como filme, ainda que seja um retrato relativamente fiel da vida de Jesus Cristo. Não há um grande conflito a ser resolvido, para nenhum personagem. E isso vale especialmente para o Central, que, por conhecer seu destino, nada teme ou questiona. Se funciona como versão da Bíblia para quem não tem paciência de ler ou quer revisitar os evangelhos, não apenas é outra conversa como também não é a função desse texto resolver.
Adaptação de livro para jovens adultos ambientado em futuro pós-apocalíptico distópico com protagonista feminina deixa de ser um caso isolado de “Jogos Vorazes” e se torna uma tendência com “Divergente”. Sai de cena a extremamente talentosa Jennifer Lawrece e entra a talentosa o suficiente Shailene Woodley. O que se mantém igual é o uso desse artifício como uma metáfora, tão simples quanto superficial, sobre a sociedade contemporânea. Mas a coisa funciona um bocado menos para essa tentativa.
O primeiro amor é um tema recorrente no cinema. Especialmente porque ele acontece na adolescência, a época em que somos mais inseguros, irritantes e irritáveis. O despertar da sexualidade, o lento processo de auto-conhecimento – que a desinformação não ajuda -, as provocações e implicâncias de outros que só querem esconder suas próprias fragilidades e a presença dos pais que parecem ter esquecido que já foram um dia, também, adolescentes, não ajudam em absolutamente nada.
Hipócrita, por uma definição simples, é aquele que diz algo mas pratica seu contrário. Nesse sentido, o Capitão América, o personagem, representa aquilo que os EUA dizem que são. Ou, no limite, aquilo que querem ser como país. O mérito desse novo filme, “Capitão América 2: O Soldado Invernal”, está em colocar o herói, símbolo de liberdade, patriotismo, justiça e igualdade, em choque direto com o as práticas opostas a isso. E, claro, tudo enfeitado com cenas de ação que são de tirar o fôlego.
Considerando que vivemos em um país de maioria cristã, é bem difícil que você nunca tenha ouvido falar dessa história: Noé, um dos primeiros homens, recebe a missão divina de proteger a criação de um dilúvio vindouro, que purificaria a Terra de todo mal – leia-se: homens. Mas para Darren Aronofsky esse é apenas um ponto de partida para questionar as escolhas humanas, feitas pela fé, ou pela falta dela.
Denso, introspectivo, provocativo e auto-consciente. Essas são quatro das características centrais de “Entre Nós” e que se tornam ainda mais impressionantes por serem absolutamente raras no cinema nacional, em geral verborrágico, externo e leviano. Por isso, os diretores Paulo e Pedro Morelli, pai e filho, alcançam algo mais do que o drama doméstico que têm em mãos como ponto de partida. O que fazem é um duro comentário sobre a ressaca da geração brasileira pós-84.
A sinopse divulgada de “Tudo por Justiça” é algo assim: um ex-presidiário, vivido por Christian Bale, que só quer tocar sua vida, acaba envolvido em uma trama de vingança quando um criminoso interpretado por Woody Harelsson mata seu irmão mais novo, papel de Casey Affleck. Não há nada de errado com ela. Todos esses elementos estão no filme. Mas é impressionante o quão pouco representativo do que o filme mostra.
