CategoriaCríticas

“As Aventuras de Peabody e Sherman” combina lições com diversão

As Aventuras de Peabody e Sherman

O Senhor Peabody é um cachorro. Uma das criaturas mais inteligentes do mundo, mas ainda um cachorro. Ele consegue adotar uma criança, Sherman – em uma sequência de trás para frente que é tão brilhante quanto apropriada (porque, como aprendemos em “Doctor Who”, a vida nem sempre passa na ordem direta para viajantes do tempo. Mas já chegamos nisso). Para reforçar a educação eles navegam através dos grandes acontecimentos da história, o que é tão instrutivo quanto perigoso, como a sequência de abertura deixa bem claro. Ainda assim, eles nunca enfrentaram nada como o primeiro dia na escola do jovem garoto.

Leia mais

“RoboCop” de José Padilha aponta para outro inimigo

RoboCop

A maioria das pessoas que abre para ler um texto sobre o novo “RoboCop”, o dirigido pelo brasileiro José Padilha, está, nem que secretamente, querendo saber o seguinte: “é ou não melhor que o do Paul Verhoeven?” A resposta simples é não, não é melhor. Mas a resposta complicada é que não é melhor porque, ainda que partam de uma mesma premissa, são filmes que querem dizer coisas distintas, para audiências distintas, em tempos distintos. E saber exatamente qual é sua mensagem é a grande força dessa nova versão, já que é isso que justifica, para começo de conversa, a existência dela.

Leia mais

“Clube de Compras Dallas” coloca opressor no lugar do oprimido

Clube de Compras Dallas

O que chama atenção para “Clube de Compras Dallas” é o definhamento físico de Matthew McConaughey e de Jared Leto como claro compromisso de ambos para com seus personagens e filme. Mas isso é espetáculo. A parte realmente importante da trama fala sobre preconceito. Sobre o nosso sempre irracional temor do desconhecido, do novo, do que simplesmente não faz sentido.

Leia mais

“12 Anos de Escravidão” é dura metáfora para a condição do negro

12 Anos de Escravidão

Mesmo que reconte a história real de Solomon Northup, negro livre que é enganado e vendido como escravo, “12 Anos de Escravidão” é usado pelo diretor, Steve McQueen, como uma metáfora da condição dos afrodescendentes, especialmente nas Américas. O que faz deste um caso raro de filmes que, mesmo baseados na realidade, são mais importantes pelo seu valor simbólico.

A afirmação, “ainda que os negros estejam livres no papel, insistimos em mantê-los em condição subumana”, é categórica no filme. Daí a necessidade de imagens tão literais. McQueen quer deixar bem claro que a violência contra eles é, ainda, uma chaga aberta, como ficam as costas dos escravos depois de sessões de chibatadas. Mostrar isso de frente, com a luz bruxuleante dos lampiões não é sensacionalizar. É fazer um testemunho de fé.

Leia mais

Apego ao livro torna “Um Conto do Destino” doce demais

Um Conto do Destino

É de se espantar que a mesma pessoa que ganhou um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “Uma Mente Brilhante” cometa uma falha tão básica neste “Um Conto do Destino”. A maior parte dos problemas do filme existem pela incapacidade de Akiva Goldsman, roteirista premiado e ainda que estreante na direção de longas, perceber que alguns diálogos e situações que são perfeitamente possíveis no papel, não se traduzem bem no cinema.

Leia mais

Pais e filhos buscam o entendimento em “Nebraska”

Nebraska

Alexander Payne parece ter trabalhado sua carreira para chegar em “Nebraska”. Seus filmes anteriores, “Sideways” e “Os Descendentes” sugerem isso, ao menos. O primeiro trata do momento que antecede a construção de uma família e o segundo é sobre o que é necessário para mantê-la unida. E esse último leva isso adianteo. É sobre como somos um subproduto de nossos pais e como encarar isso de frente é tão difícil quanto necessário. Mais do que uma continuidade, há um ciclo temático.

Leia mais

“Philomena” coloca em choque dois universos culturais distintos

Philomena

Na superfície, “Philomena” é um drama sobre como uma mulher parte em busca de seu passado, contando com a ajuda de um jornalista para encontrar seu filho, que foi tirado de suas mãos 50 anos atrás. Mas Steve Coogan, roteirista e ator que interpreta o jornalista, junto de Stephen Frears, o diretor, arrancam bem mais dessa história real – como tantas outras que o cinema anda recebendo todas as semanas – do que essa sinopse em um frase deixa transparecer.

Leia mais

“Ela” faz doce reflexão sobre os relacionamentos humanos

Ela

Em uma genial tira em quadrinhos, Bill Waterson, através de seu Calvin, definiu o amor como uma “série de reações físico-químicas que têm como função a perpetuação da espécie” (cito de cabeça). O que parece fazer sentido, já que é o amor que forma famílias e leva à procriação. Exceto quando não faz. O que é bastante comum, na verdade. Há uma série de questões no amor que não respondem à biologia. É um problema de outra ordem. E é desse tipo de problema que é feito o belo “Ela”, mais novo filme de Spike Jonze.

Leia mais

Indecisão de gênero compromete resultado de “Caçadores de Obras-Primas”

Os Caçadores de Obras-Primas

O espírito de “Caçadores de Obras-Primas”, seu coração, está no lugar certo. Já faz um tempo que o cinema parece clamar por um filme de guerra com a leveza de um “M.A.S.H.” ou “Hogan`s Heroes”. Mas a execução, infelizmente, deixa a desejar justamente porque esse clima mais suave não é abraçado em sua plenitude. O que acontece é que, quando ele resolve ficar mais pesado, dando um certo choque de realidade, o tom é tão deslocado que o estranhamento é inevitável.

Leia mais

Cabelos e roupas setentistas escondem o melhor de “Trapaça”

Trapaça

Logo depois das charmosas vinhetas das produtoras em versão vintage setentista vem a primeira imagem de “Trapaça”: um close da agora proeminente barriga de Christian Bale – até outro dia perfeitamente em forma para viver o Batman. A câmera, depois, sobe para seu ritual de preparação do cabelo, já que ele é careca e usa o que sobrou dos lados para cobrir o topo. É desse fetiche, o da entrega de seus atores, que vive agora David O. Russell, o diretor. Não que ele esteja errado em ter orgulho do trabalho na hora de escolher e preparar seu elenco, além do subsequente resultado disso. Mas é uma pena que a história seja relegada em segundo plano.

Leia mais