Não há novidade em “Alabama Monroe”. Um homem, o músico country Didier, e uma mulher, a tatuadora Elise, com visões de mundo completamente diferentes, se apaixonam e formam uma família. Tudo meio aos trancos e barrancos, como o que parece ser a vida real. A pequena Maybelle fica doente, depois de um tempo, e todo o amor que eles tinham, toda a felicidade experimentada por aqueles anos, parece querer ceder à essa pressão.
O tempo passa e os dilemas adolescentes, pelo jeito, não mudam. Época de descobertas, inseguranças, experiências e decepções. Viver em uma sociedade conservadora não ajuda, mas a liberdade total, especialmente sem diálogo, também não é solução de todos os problemas. E, no meio disso tudo, mais perdido do que todos, está o próprio adolescente, que, imediatista nato que é, nem mesmo o alívio psicológico de pensar que “isso vai passar, mais dia menos dia” possui.
Se houvesse um Oscar (ou prêmio Nobel, talvez?) para melhor ideia de um produtor, a de 2014, seguramente, teria “Ajuste de Contas” entre os indicados. Por que o conceito básico do filme é tão simples quanto genial. Óbvio, até – daqueles em que você meio que não sabe até hoje como é que ninguém tinha pensado nisso. O quão brilhante não é colocar Robert De Niro e Sylvester Stallone em um filme sobre dois boxeadores rivais e velhos que irão, 30 anos depois do auge, terminar a melhor de três da vida deles?
Tão complicado quanto ser um adolescente é retratar essa fase na ficção. Por isso, então, fica o grande mistério em relação à “Confissões de Adolescente”, livro semi-autobiográfico de Maria Mariana que virou peça, série para a TV e, agora, um belo e merecido filme – sobre o qual falamos mais na tradicional resenha. A atriz Malu Rodrigues, que interpreta a Alice no filme, conversou com o POP sobre, entre outros assuntos, o que faz a história continuar tão atual.
Para uma animação centrada em uma princesa da Disney, “Frozen: Uma Aventura Congelante” representa um salto narrativo bem interessante. Isso porque não há um vilão palpável, ou uma encarnação do mal, como estamos acostumados com os filmes da casa do Mickey – ainda que haja os personagens minimamente mal intencionados. Ainda assim, é diferente de um Gastão, Ursula, Jaffar ou Scar. Se fôssemos apontar, os vilões aqui são manifestações etéreas de sentimentos, como ódio, intolerância e medo. E é incrível como isso funciona perfeitamente bem para a história.
Francis Ford Coppola resolveu brincar de metalinguagem e o resultado é “Twixt” – batizado no Brasil como “Virgínia”. E quando alguém como Coppola abraça a metalinguagem, é preciso ter olhos e ouvidos atentos, porque coisas bastante sérias e importantes sobre a arte de contar uma história irão aparecer.
Se não fosse o mesmo Paulo Cursino o envolvido em “Até que a Sorte nos Separe 2″, daria para dizer que o roteirista desta continuação não viu o original, do ano passado. Só isso justifica o fato de que o personagem central comete exatamente os mesmos erros, não tendo aprendido nem mesmo uma única lição. E isso traz um problema gigantesco, já que transforma Tino, personagem vivido por Leandro Hassum, de um adorável bobalhão em um completo idiota, anulando quase completamente seu carisma. Leia mais
Vivemos a era da insatisfação. Crescemos convictos de que merecemos mais, somos especiais, destinados a grandes feitos e realizações. E tanto o cinema hollywoodiano quanto nossas mães são igualmente culpados nisso. Mas a maioria de nós acaba em empregos mundanos, levando vidas ordinárias. É simplesmente impossível que todos sejamos astronautas, pilotos de corrida ou fotógrafos da “National Geografic”.
No que deve ser a cena mais emblemática de “Questão de Tempo” Tim, personagem de Domhnall Gleeson – aqui como uma espécie de versão britânica e ruiva de Jay Baruchel -, tem a chance de `cometer um erro`. Mas veja, pela história do filme (já explico melhor), esse erro poderia ser cometido sem maiores consequências, de forma que apenas ele saberia. Ninguém mais. Mas ele opta por não cometer o erro porque fazer essa escolha apenas uma vez seria suficiente para que ele não conseguisse mais viver consigo mesmo. Leia mais
Não deve ser um exagero dizer que todo mundo conhece “Chaves”, o seriado infanto-juvenil mexicano que o SBT encaixa sistematicamente em sua grade de programação. Pois bem. Imagine que em “Chaves” não é o menino de rua simpático, meio abobalhado e carismático que é o personagem central. Imagine que ele é trocado por Quico, menino rico, mimado, irritante e metido. Imagine esse personagem como protagonista. Visualizou? Pois nem precisa, porque é exatamente isso o que “Minhocas” faz. Leia mais
