Como nenhum sucesso passa impune por Hollywood, a declaração de amor de Carlos Saldanha à sua cidade natal, “Rio”, ganhou uma continuação. E se ela não se passa no Rio de Janeiro, o jeito é se apoiar no fato de que a Amazônia, que serve de cenário para a nova aventura, tem rios o suficiente para justificar o título. Mesmo com a mudança de ambiente, o filme repete parte da temática do original, mas disfarça bem o suficiente para parecer novidade. O que já é melhor do que a maioria das continuações que vemos por aí.
AutorLuiz Gustavo Vilela
“Entre Nós” é um filme raro no Brasil de 2014. Introspectivo, sensível e bonito. E, talvez mais importante, todo esse efeito planejado. Ao menos é o que parece na fala de Paulo Morelli, co-diretor, que falou um pouco sobre seu trabalho em uma entrevista por telefone.
A premissa de “Toque de Mestre” deve ser uma das mais originais que vamos ver nos cinemas este ano. A execução, por outro lado, se equilibra em uma mistura de erros e acertos. Porém, o resultado acaba saindo melhor do que a encomenda, para todos os fins. Mérito de uma conjunção de fatores que vão desde um roteiro afinado a uma edição com bom ritmo, passando por um ator central muito concentrado.
Os momentos dramáticos do mais novo exemplar de comédia romântica nacional são marcados por uma versão lounge-picareta de “Gostava Tanto de Você”, um clássico do Tim Maia, com uma daquelas interpretações dignas de show de calouros (de Raul Gil à “The Voice”, tudo igual). Feito na medida para passar a ilusão de sentimento legítimo, mas completamente vazio de substância e significado. E é perfeita para ilustrar um filme com as exatas mesmas características.
“O Grande Herói” abre com imagens reais do treinamento dos SEALS, a elite da marinha americana. Em poucos segundos fica claro o quão cruéis e desafiadoras são as provações pelos quais os soldados precisam passar até estarem prontos para o combate. Mas a parte realmente impressionante do filme está em colocar esses mesmos soldados, mais adiante, em uma situação em que eles fiquem em completa desvantagem. Desesperados. Temendo por suas vidas. Você pensa: “se esses caras estão com medo, quem não ficaria?”
Quando pego o telefone para fazer a entrevista com a diretora Chris D`Amato, sou avisado gentilmente pela assessora que terei dez minutos para falar com ela. “Difícil sou eu falar em dez minutos. Mulher fala em dez minutos?” Me respondeu, antes mesmo de eu ter tempo de ensaiar um “olá”. A afirmação, se talvez não valha para todas as mulheres do mundo, seguramente vale para ela mesma. Já na primeira pergunta, por exemplo, ela me brinca com a descrição detalhada de todo o processo de desenvolvimento de seu mais novo filme, “S.O.S. Mulheres ao Mar”.
Considerando o imenso desafio que é fazer uma adaptação decente dos games para o cinema, “Need for Speed” larga com certa vantagem pelas edições da série de jogos não terem nenhuma linha narrativa a ser seguida. O objetivo é explorar a cidade, fazer rachas, ganhar dinheiro, tunar o carro e correr da polícia. Ainda assim, há algumas armadilhas que podem aparecer para o filme. A maioria delas envolve a cabeça do produtor hollywoodiano médio que poderia dobrar o filme até ele se tornar uma versão sem alma de “Velozes e Furiosos”. Felizmente, não é o que acontece e o resultado final é até surpreendente.
A melhor coisa que se pode dizer da animação “Justin e a Espada da Coragem” é que, por ser uma produção espanhola, significa que não há mais monopólio sobre técnicas de computação gráfica. O filme é bem bonito, inclusive. Visualmente impecável, até. Por isso, é uma pena que o filme pise na bola, na verdade, em seu elemento mais básico: o roteiro.
Ainda que pareça repetir a trama de “As Aventuras de Pi”, “Até o Fim” guarda mais semelhanças com outro grande vencedor do Oscar: “Gravidade”. Ainda que todos sejam filmes sobre uma pessoa que fica sozinha em um ambiente inóspito – tão vasto quanto misterioso – e sobre como não há escolhas e é preciso fazer o que for necessário para sobreviver, os dois últimos abraçam um realismo que não dá espaço para metáforas edificantes sobre religião. Nessa situação, é preciso escolher viver a cada instante.
A lista com as piores versões nacionais de títulos de filmes de 2014 é coroada com “Walt nos Bastidores de Mary Poppins”. Menos pela frase tosca em sua construção e mais por mostrar uma completa falta de compreensão do mote da trama. O filme não é sobre Walt Disney, vivido por Tom Hanks, mergulhando no universo de Mary Poppins, criada por Pamela Lyndon Travers, interpretado por Emma Thompson. É exatamente o contrário.
