A premissa de “Toque de Mestre” deve ser uma das mais originais que vamos ver nos cinemas este ano. A execução, por outro lado, se equilibra em uma mistura de erros e acertos. Porém, o resultado acaba saindo melhor do que a encomenda, para todos os fins. Mérito de uma conjunção de fatores que vão desde um roteiro afinado a uma edição com bom ritmo, passando por um ator central muito concentrado.
CategoriaCríticas
Os momentos dramáticos do mais novo exemplar de comédia romântica nacional são marcados por uma versão lounge-picareta de “Gostava Tanto de Você”, um clássico do Tim Maia, com uma daquelas interpretações dignas de show de calouros (de Raul Gil à “The Voice”, tudo igual). Feito na medida para passar a ilusão de sentimento legítimo, mas completamente vazio de substância e significado. E é perfeita para ilustrar um filme com as exatas mesmas características.
“O Grande Herói” abre com imagens reais do treinamento dos SEALS, a elite da marinha americana. Em poucos segundos fica claro o quão cruéis e desafiadoras são as provações pelos quais os soldados precisam passar até estarem prontos para o combate. Mas a parte realmente impressionante do filme está em colocar esses mesmos soldados, mais adiante, em uma situação em que eles fiquem em completa desvantagem. Desesperados. Temendo por suas vidas. Você pensa: “se esses caras estão com medo, quem não ficaria?”
Considerando o imenso desafio que é fazer uma adaptação decente dos games para o cinema, “Need for Speed” larga com certa vantagem pelas edições da série de jogos não terem nenhuma linha narrativa a ser seguida. O objetivo é explorar a cidade, fazer rachas, ganhar dinheiro, tunar o carro e correr da polícia. Ainda assim, há algumas armadilhas que podem aparecer para o filme. A maioria delas envolve a cabeça do produtor hollywoodiano médio que poderia dobrar o filme até ele se tornar uma versão sem alma de “Velozes e Furiosos”. Felizmente, não é o que acontece e o resultado final é até surpreendente.
A melhor coisa que se pode dizer da animação “Justin e a Espada da Coragem” é que, por ser uma produção espanhola, significa que não há mais monopólio sobre técnicas de computação gráfica. O filme é bem bonito, inclusive. Visualmente impecável, até. Por isso, é uma pena que o filme pise na bola, na verdade, em seu elemento mais básico: o roteiro.
Ainda que pareça repetir a trama de “As Aventuras de Pi”, “Até o Fim” guarda mais semelhanças com outro grande vencedor do Oscar: “Gravidade”. Ainda que todos sejam filmes sobre uma pessoa que fica sozinha em um ambiente inóspito – tão vasto quanto misterioso – e sobre como não há escolhas e é preciso fazer o que for necessário para sobreviver, os dois últimos abraçam um realismo que não dá espaço para metáforas edificantes sobre religião. Nessa situação, é preciso escolher viver a cada instante.
A lista com as piores versões nacionais de títulos de filmes de 2014 é coroada com “Walt nos Bastidores de Mary Poppins”. Menos pela frase tosca em sua construção e mais por mostrar uma completa falta de compreensão do mote da trama. O filme não é sobre Walt Disney, vivido por Tom Hanks, mergulhando no universo de Mary Poppins, criada por Pamela Lyndon Travers, interpretado por Emma Thompson. É exatamente o contrário.
Em certa medida, a ambição de “300: A Ascensão do Império” é hiperbolizar a única coisa que era comedida em “300″: a narrativa. O pequeno épico grego que abusava da computação gráfica e da câmera lenta se torna então um imenso épico grego que abusa da computação gráfica e da câmera lenta. Uma pena, em um sentido mais existêncial. Mas a verdade é que ninguém deve se importar muito. O barato aqui é ver as (muitas) cabeças sendo arrancadas.
É bem mais do que uma piada interna na redação do Portal POP escrever que Will Ferrell é o maior ator vivo. Há um bocado de verdade dura nisso. A concentração com que ele consegue sustentar personagens absolutamente idiotas, fazendo coisas completamente transloucadas, beira o sobre-humano. Em “Tudo Por um Furo”, continuação do seu clássico cult, “O Âncora”, isso é elevado a um novo patamar, com uma sucessão de piadas que mal te dá tempo de respirar. A esperteza está em usar isso para fazer uma bela crítica ao jornalismo.
Há um subgênero específico dentro do cinema de ação que se dedica a explorar desdobramentos de “Duro de Matar”, o clássico de 88. Só no ano passado, por exemplo, tivemos dois ambientados na Casa Branca – “O Ataque” e “Invasão à Casa Branca”. A mais nova incursão de Liam Neeson no cinema de ação também passa pela tentativa de resgatar o espírito das aventuras de John McClane. “Sem Escalas” é, para todos os fins, um “Duro de Matar” dentro de um avião.
