Atômica

Atômica

Atômica (Atomic Blonde, 2017) não é o filme que pensa que é. Tampouco é o filme que quer ser. O patamar que estabeleceu para si próprio é alto demais para ser bem sucedido. A seriedade com que encara o tema remete a O Espião que Sabia de Mais (Tinker, Tailor, Soldier, Spy, 2011), de Tomas Alfredson, o melhor filme de espionagem recente; sua estética, um pop-neon oitentista, deve tudo a Driver (2012), de Nicolas Winding Refn; e, se isso já não for o bastante, chega a citar nominalmente Stalker (1979), de Andrei Tarkovski, com uma sequência de luta iluminada pela tela de cinema que exibe a obra do mestre soviético. Não ser tão bom quanto estes outros trabalhos, porém, não torna Atômica descartável. Leia mais

Uma ponte cinematográfica

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Com o documentário “Construindo Pontes” a curitibana Heloisa Passos usa relação turbulenta com o pai para tratar de política

Dois acontecimentos marcaram a história recente de Heloísa Passos, premiada Diretora de Fotografia e Diretora Curitibana que acaba de lançar seu mais novo documentário, “Construindo Pontes”, no Festival de Brasília e que em breve será reexibido no FicBic, o Festival de Cinema da Bienal de Curitiba. O primeiro foi uma oficina de documentários ministrada para 20 estudantes como parte do FIDÉ Brasil, o Festival Internacional de Documentário Estudantil. O segundo foi exibir o “Construindo Pontes” para seu pai, Álvaro Passos, principal personagem do documentário, em uma sessão privada. Leia mais

“Em 2006 entrei na cadeia”

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Perfil de Aly Muritiba, o cineasta que filmou o dia a dia dos Agentes Penitenciários de São José dos Pinhais.

Para fugir da opressão do cotidiano como Agente Penitenciário da Casa de Custódia de São José dos Pinhais, Aly Muritiba resolveu se matricular no recém-criado curso de cinema da Unespar. A cadeia, nas palavras do próprio cineasta, era “um ambiente que te suga muita energia, é pesado”. O que começou como uma válvula de escape logo contaminou a forma como ele percebia o espaço e as relações humanas lá abrigadas e culmina com o lançamento comercial de A Gente, documentário sobre os a Equipe Alfa da Penitenciária. Leia mais

A Criação segundo Aronofsky

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No ambicioso “Mãe!” o diretor de “Cisne Negro” abraça a temática bíblica para tratar do horror humano.

É fácil entrar no cinema para ver “Mãe!”, o mais novo trabalho de Darren Aronofsky que chegou aos cinemas na última quinta (21), pensando se tratar de mais um filme de horror. Na primeira metade elementos do gênero são usados para gerar o clima de tensão sentido pela Mãe (Jennifer Lawrence), mas na medida em que a narrativa se torna progressivamente surreal fica claro que este é um filme complexo, que usa o horror como fachada para criar uma ambiciosa alegoria bíblica sobre a relação entre a humanidade e o mundo.

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Game of Thrones – S07E07 – The Dragon and the Wolf

Game of Thrones - The Dragon and the Wolf

Texto cheio de spoilers. Leia por sua conta e risco.

Ainda que talvez seja adequado para uma temporada que foi morna na média, é estranho que um season finale de Game of Thrones seja tão pouco emocionante. Claro, muitas coisas impressionantes aconteceram – mais sobre isso em um instante –, mas nada do quilate de um Casamento Vermelho ou de uma Batalha da Água Negra. Mesmo a temporada passada terminou com uma explosão que eliminou toda uma denominação religiosa e uma família de inimigos de Cersei Lannister (Lena Headey) em um único golpe. Leia mais

Game of Thrones – S07E06 – Beyond the Wall

Beyond the Wall - Game of Thrones

Texto cheio de spoilers. Leia por sua conta e risco.

Beyond the Wall é o episódio em que Game of Thrones se torna refém de sua própria armadilha. Depois de matar muitos de seus personagens centrais sem qualquer remorso ao longo das últimas temporadas, evitando assim vários dos lugares-comuns da fantasia medieval enquanto gênero, agora precisa inventar maneiras plausíveis de manter os sobreviventes vivos. Afinal, há ainda uma temporada inteira para acontecer e alguém precisa fazer alguma coisa em relação aos zumbis da neve que marcham rumo ao Sul de Westeros. Já é tarde demais para apresentar um novo herói que poderá salvar a humanidade. Leia mais

Game of Thrones – S07E05 – Eastwatch

Game of Thrones Eastwatch

Texto cheio de spoilers. Leia por sua conta e risco.

Depois de um episódio tão impactante quanto The Spoils of War, Game of Thrones entrega o esperado: um momento mais morno, com os personagens lambendo suas feridas recentes e traçando as últimas estratégias e derradeiros planos de ação. Estamos, afinal, cada vez mais próximos do clímax da trama, quando o jogo dos tronos irá de fato apresentar seu vencedor. O que não quer dizer que este seja um episódio sem acontecimentos relevantes. Pelo contrário. Leia mais

Game of Thrones – S07E04 – The Spoils of War

Game of Thrones – S07E04 – The Spoils of War

Texto recheado de spoilers. Leia por sua conta e risco.

As últimas temporadas de Game of Thrones têm seguido um padrão mais ou menos constante. Depois de alguns episódios carregados de diálogos geralmente expositivos, com algum eventual desenvolvimento de personagem e cujo clímax envolve assassinatos motivados por conluio político, somos finalmente recompensados com um capítulo realmente interessante. Nos dois últimos anos a recompensa veio em Hardhome e Battle of the Bastards. The Spoils of War é o responsável por ampliar o interesse desta sétima temporada. Leia mais

Game of Thrones – S07E03 – The Queen’s Justice

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Texto com spoilers. Leia por sua conta e risco.

“A Justiça da Rainha” é um título capcioso. Apesar de duas mulheres disputarem oficialmente a coroa de Westeros, outras também aparecem em posições de comando e lidando com a mesma questão. Toda a nuance de um dos melhor escritos episódios até então já começa pela forma como ele foi batizado. De resto, The Queen’s Justice é um capítulo cheio de bons diálogos e violência gráfica e psicológica, que é o que faz com que vejamos Game of Thrones para começo de conversa. Leia mais

Game of Thrones S07E02 – Stormborn

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Texto cheio de spoilers. Leia por sua conta e risco.

Ao ver Stormborn, o segundo episódio desta sétima temporada, chama atenção a elegância da montagem, ainda mais notável pela direção de Mark Mylod, aqui em sua quinta colaboração em Game of Thrones. As transições entre cada segmento são mais orgânicas e livres, com liberdade para ir e voltar de um ponto para outro conforme a necessidade narrativa. É um capítulo sensivelmente mais agradável de ver do que os dos últimos três anos – quando os múltiplos focos faziam com que cada nova visita a Westeros parecesse uma série de pequenos recortes. Leia mais